Pular para o conteúdo principal

Hino a Ninkasi - IV

Já havia dado por concluído minhas experiências relacionadas à antiga receita do Hino a Ninkasi, quando fazendo algumas pesquisas na internet deparei-me com uma conversa no fórum gringo homebrewtalk sobre a receita Hino a Ninkasi.

Nesta conversa, que se deu entre setembro e outubro de 2013 um americano levanta a hipótese que o pão bappir, que de acordo com a receita deve ser assado duas vezes, nas vias de fato, a segunda vez que ele é assado deve ser até realmente torrar.


Ele se baseia em dois fatos:

  1. A falta de um agente de amargor para equilibrar a receita poderia ser provido pelo malte torrado
  2. O fato que em listas de suprimentos da antiga assíria não constarem os pães bappir, levando a entender que não seria um produto para consumo, mas apenas uma fase da fabricação de cerveja

Como pode-se contatar no tópico anterior, ao experimentar a cerveja Hino a Ninkasi Original, eu percebi exatamente essa falta de um agente de amargor que o americano havia previsto. Supus, erroneamente, que existiria alguma acidez para contrabalancear a doçura. A receita que eu me baseei, do Dan Mouer, interpreta que se deve assar até dourar as fatias, mas não até tostar.


O americano afirmou que iria fazer o experimento com o pão bappir tostado, mas acabou não postando mais nada no fórum. Imagino que ele tenha tido alguma dificuldade e desistido pois percebi que ele estava focando muito na questão do pão ser torrado e ignorando todo o resto.




Para testar esta hipótese resolvi preparar um extrato de malte tostado a partir de um malte Black Chateau. Moí 100 gramas de malte e preparei uma infusão com 1,5 litros de água a 70oC por meia hora. Retirei o malte e fervi até reduzir o volume pela metade. O resultado ficou muito parecido com o café. Não é a toa que em um restaurante vegano eu encontrei uma tal "cevadinha" para se tomar no lugar do café, acredito que nada mais seja que uma versão deste extrato que eu fiz.






Aí, misturei esse extrato com a cerveja Hino a Ninkasi Original, sem realizar nenhuma medida... O extrato de malte tostado resultou numa cerveja mais equilibrada, com um pouco de amargor do tostado. Ficou parecendo uma stout frutada e defumada. No entanto o caráter adocicado e um tanto enjoativo continuou presente e acredito que foi incrementado por uma certa adstringência. Ao final, não consegui concluir se um pão bappir tostado resultaria numa cerveja excelente. Mas dá para concluir que impacta numa melhoria na cerveja. Resta agora muito trabalho para se determinar uma proporção adequada de pão bappir na receita e mesmo de grau de tosta no pão. Vamos em frente!





                                                                                                                                                                   
Acesse nosso site: cervejasextremas.com
Siga-nos no twiiter: twitter.com/cervasextremas
Curta-nos no facebook: facebook.com/cervejasextremas

Outros assuntos interessantes sobre cervejas:




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Braggot

Braggot é o nome do hidromel que leva malte, também chamado de bracket, bragaut e bragawd. A origem dessas curiosas palavras vem do irlandês antigo (brach) ou do galês (brag, bragio) que significa "brotar". O fato do nome vir do galês não significa que eles tenham-na inventado, as origens do braggot são realmente muito antigas, beirando o início da civilização. No entanto, com o tempo o mel se tornou um componente secundário em cervejas e o último reduto em que a cultura do braggot sobreviveu foi no país de Gales. Os galeses eram famosos por suas cervejas com mel até o advento da Revolução Industrial, mas por volta de 1800 as cervejas galesas já não levavam nenhum mel. No Guia BJCP 2015 para Hidromel o Braggot está na categoria M4A , e ali se afirma que a impressão geral da bebida deve ser de um blend harmonioso de hidromel e cerveja, mantendo-se as características distintas de ambos. Uma extensa variedade de resultados é possível a depender do estilo base da cerveja, d...

A Cultura do Growler

Fugindo um pouco do assunto cervejas extremas, vou tratar de um assunto que tem ganhado força em terras brazucas, a cultura do Growler. Eu ouvi falar a primeira vez de growler no bar da Brewdog quando morava em São Paulo em 2014 e hoje, pouco mais de dois anos após isso, eu tenho nada menos que seis growlers de dois litros, um de três litros e alguns de um litro. E tenho percebido que a quantidade de opções e lugares onde se pode enchê-los tem crescido exponencialmente... Já li uma crítica à cultura do growler dizendo que é um processo que prejudica as cervejas, não sendo corretamente sanitizado e que permite entrada de oxigênio no processo de envase, a crítica fazia uma analogia a ir em um restaurante de luxo e pedir uma quentinha para viagem e depois a esquentar no microondas ao chegar em casa horas depois. Convenhamos... me pareceu uma crítica um tanto exagerada e injusta. Claro que pode ocorrer a entrada de oxigênio de forma a prejudicar a cerveja, mas não de forma tão exagera...

Introdução

Sempre gostei de uma novidade. Uma bebida diferente, uma comida exótica, uma guloseima recém lançada. Em supermercados eu sempre caio no truque da novidade. É só o departamento de marketing da empresa resolver colocar um NOVO em letras coloridas e garrafais e eu caio que nem um patinho. Compro o produto que depois eu descubro nem ser tão novidade, ou nem ser tão bom assim. Às vezes me dou mal com isso. Lembro quando eu era criança e fiz minha mãe comprar o péssimo Quick Chocolate Branco que tinham acabado de lançar - e o troço era ruim!  Anos depois, quando adolescente, com amigos em um restaurante argentino em Florianópolis, convenci todos a pedir um petisco típico argentino que ninguém conhecesse, mas sem perguntar ao garçom do que se tratava. Pedimos chinchulim, que depois descobrimos tratar-se de intestino delgado assado. Perguntei ao garçom do que se tratava aquele recheio com sabor forte e ele me disse com a voz mais sarcástica: "Não tem recheio". O garçom...