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Mostrando postagens com o rótulo História

Hino a Ninkasi - IV

Já havia dado por concluído minhas experiências relacionadas à antiga receita do Hino a Ninkasi, quando fazendo algumas pesquisas na internet deparei-me com uma conversa no fórum gringo homebrewtalk sobre a receita Hino a Ninkasi. Nesta conversa, que se deu entre setembro e outubro de 2013 um americano levanta a hipótese que o pão bappir, que de acordo com a receita deve ser assado duas vezes, nas vias de fato, a segunda vez que ele é assado deve ser até realmente torrar. Ele se baseia em dois fatos: A falta de um agente de amargor para equilibrar a receita poderia ser provido pelo malte torrado O fato que em listas de suprimentos da antiga assíria não constarem os pães bappir, levando a entender que não seria um produto para consumo, mas apenas uma fase da fabricação de cerveja Como pode-se contatar no tópico anterior, ao experimentar a cerveja Hino a Ninkasi Original, eu percebi exatamente essa falta de um agente de amargor que o americano havia previsto. Supus, err...

Hino a Ninkasi - III

Finalizando o estudo e a experiência, conforme prometido, apresento os resultados das duas cervejas que eu descrevi a preparação  neste artigo . Nas vias de fato, como a proporção de mel / material fermentável se aproxima de 30%, pode-se até considerar que são duas Braggots . E portanto, de agora em diante, eu utilizarei o termo para descrever estas cervejas. Hino a Ninkasi Original  Uma Braggot que eu resolvi chamar de Hino a Ninkasi Original foi preparada na forma mais autêntica que eu consegui seguindo as orientações do Dan Mouer no artigo na Brew Your Own. Me dei a liberdade de fazer algumas alterações nas quantidades, mesmo porque o Hino a Ninkasi não estipula valores. Acabei colocando mais pão Bappir e menos casca de arroz que as orientações do Dan Mouer. A fermentação procedeu impressionantemente bem para uma cerveja feita com leveduras selvagens. Achei que iria precisar mexer o mosto para oxigenar, mas não foi necessário, em menos de 24 horas o airlock ...

Hino a Ninkasi - II

Tâmaras Depois de ter feito uma breve pesquisa histórica, conforme relatado  aqui , resolvi fazer uma experiência partindo da receita no  artigo  que em 2007, Dan Mouer publicou na revista Brew Your Own. Tive a ideia de fazer dois lotes similares. Um se aproximando o máximo que eu conseguisse da cerveja do Hino a Ninkasi (realizando minhas suposições obviamente), e outro adaptando para se obter uma cerveja de um estilo moderno utilizando lúpulo e leveduras "domesticadas".  Primeiramente vou descrever como eu fiz a cerveja do Hino a Ninkasi da forma mais autêntica que eu consegui. Cerveja Ninkasi Original Ingredientes para 10 Litros: • 1 Kg Malte Defumado • 1,8 Kg Pão Bappir • 0,1 Kg Cascas de Arroz • 2 Litros Vinho de Tâmaras • 0,4 Kg Mel Se comparar com a receita do Dan Mouer pode-se perceber que a proporção de Pão Bappir está muito maior e a quantidade de Cascas de Arroz muito menor. Eu optei por colocar mais Pão Bappir simplesmente porqu...

Hino a Ninkasi - I

Ninkasi era a antiga deusa da cerveja dos sumérios e o hino a ela, feito há 4000 anos, chegou até nossos dias em uma tábua de barro em escrita cuneiforme. Nesse hino têm-se preservada a receita mais antiga de qualquer alimento, e que vem a ser uma receita de cerveja! Representação Moderna da Deusa Ninkasi Copio abaixo um trecho do Hino. Nascida da água corrente Delicadamente cuidada por Ninhursag (Deusa mãe, das águas, fertilidade e cultura) Nascida da água corrente Delicadamente cuidada por Ninhursag Você é a única que maneja a massa com uma grande pá Misturando em um pote o bappir aromático e doce Ninkasi, você é a única que maneja a massa com uma grande pá Misturando em um pote o bappir com tâmaras e mel Você é a única que assa o bappir no grande forno Coloca em ordem as pilhas de sementes descascadas Ninkasi, Você é a única que assa o bappir no grande forno Coloca em ordem as pilhas de grãos Você é a única que rega o malte jogado pelo chão Os cães fidalgos manté...

Curiosidades Históricas Cervejeiras

Gravura Der Bierbreuwer Todos que estudam um pouco história da cerveja já se depararam em algum momento com esta  bela gravura: O que poucos sabem é que essa gravura faz parte do livro  Panoplia. Omnium illiberalium mechanicarum aut sedentariarum artium genera continens , 1568, de Hartmann Schopper e que é um compêndio de profissões nas cidades europeias durante o século XVI. A gravura foi feita por  Jost Ammon e é considerada um excelente exemplo de arte deste período. Segue a página completa do Livro: O poema está em alemão arcaico e pode ser traduzido como algo assim: "A partir da cevada eu fervo boa cerveja, rica e doce em modo amargo. Numa tina grande e larga eu jogo o lúpulo. Após ferver, eu deixo resfriar e dessa forma preencho o bem construído barril de fermentação. Então eu deixo fermentar e a cerveja está pronta."                                      ...

História da Cerveja no Brasil - Parte IV

A Cerveja no Brasil entre os anos de 1910 e 2015 Como visto no artigo anterior, em 1905 ocorreu um declínio no número de cervejarias no país devido a um acirramento da competição. Mas entre 1910 e 1915 o mercado cervejeiro nacional ensejou uma recuperação, com um aumento do número de cervejarias, e isto ocorreu provavelmente devido a um momento econômico favorável aliado com restrições para importação de cerveja. Mas em 1915 veio uma profunda crise no setor devido aos efeitos da primeira guerra mundial (1914-1918) que impactou profundamente a disponibilidade de insumos para produção de cerveja. Tanto o lúpulo quanto o malte eram importados da Alemanha e da Áustria e com a guerra restringindo o comércio, passaram a ser importados primeiramente da Suécia e da Dinamarca e depois dos Estados Unidos e do Chile. Mas essa substituição de mercados se deu com algumas restrições, enquanto em 1913 se importou 21 mil toneladas de malte, em 1916 só se conseguiu 11 mil toneladas. Essa restriçã...