Pular para o conteúdo principal

Minhas Impressões sobre o Cacau

Theobroma Cacau, nativa das regiões tropicais da américa central e do sul. Arqueólogos encontraram evidências nas Honduras que bebidas alcoólicas fermentadas com cacau já eram consumidas na América Central em 1600 A.C. (Leia aqui o artigo), e foram componentes essenciais das comunidades destas regiões durante quase três mil anos.
Mulher asteca produzindo bebida a partir do cacau em figura do séc XVI

Nos primeiros tempos era feito um vinho a partir da polpa que era temperado com as castanhas de cacau fermentadas e torradas. Sendo que, com o passar do tempo, evolui-se para colocar outros aditivos como mel, milho, baunilha e pimentas (jamaica e chili). Várias misturas de bebidas fermentadas de cacau estão registradas pela história, tanto com propósito cerimonial, medicinal quanto culinário.
Para se obter os chamados nibs de cacau, deve-se extrair as sementes da fruta e deixá-las fermentando por 7 a 10 dias em algum lugar protegido do sol. Neste período os diversos microrganismos (fungos e bactérias) naturais do cacau agirão incrementando o aroma. A fermentação irá liberar diversos odores. O cheiro que marca o ponto certo é algo parecido com álcool.
Após essa fermentação, deve-se secar as sementes. Eu sempre fiz em um ou dois dias colocando diretamente ao sol e obtive bons resultados. Mas eu li recentemente pesquisas que afirmam que o melhor é que esse processo se dê de uma forma mais lenta. Próxima vez eu tentarei fazer secando à sombra.
Depois de secas, deve-se tostá-las. Eu faço em uma panela wok ao fogo baixo. Durante mais ou menos quarenta minutos.


Aí é só quebrar as cascas (como se fosse um amendoim) e extrair as castanhas.
Acima tem-se duas versões que eu fiz. Pode-se ver que uma delas ficou com uma coloração puxando mais pro dourado que a outra. Não faço a menor ideia porque isso aconteceu. :-/
Ou você pode também adquirir os nibs prontos em diversos lugares na internet ou em lojas de produtos naturais.
Nas vias de fato, em termos financeiros, acho que vale mais a pena comprar os nibs já prontos. Pelo menos aqui em Curitiba o Cacau é difícil de encontrar e um tanto caro – já cheguei a pagar R$15 o kilo – e com um kilo de cacau você consegue apenas umas 100g de nibs ao final (pela minha experiência).
No entanto, acho interessante a experiência de fazer os nibs e acompanhar a formação do aroma do chocolate.
Na continuidade deste artigo eu vou abordar as técnicas de como temperar uma cerveja feita em casa com o cacau.

Comentários

  1. Olá. Vc poderia dizer onde deixou as sementes de cacau fermentado?

    Obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!
      Eu deixei na cozinha, em cima da geladeira, dentro de um tupperware fechado(pq o cheiro é bem forte).

      Excluir
    2. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir
    3. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Temperando a Cerveja: Técnicas para Trabalhar com Especiarias

Como Utilizar Ervas e Especiarias Todo cervejeiro caseiro sabe que o lúpulo é a santa erva da cerveja. Mas os que acompanham este blog sabem que muitas outras ervas eram utilizadas no passado antes do lúpulo se destacar, conforme pode-se ver  aqui ,  aqui  e  aqui. Lendo estes posts sobre o Gruit pode-se concluir que fazer cervejas com especiarias e ervas não é nada novo e revolucionário, bem pelo contrário, é a raiz da cervejaria; é a velha escola. Assim, um bom cervejeiro não deve ter medo de utilizar especiarias nas suas cervejas, mas deve ter consciência que a diferença entre algo saboroso e algo intragável pode ser uma pitada a mais de alguma especiaria forte. Creia-me que isso pode acontecer, falo por experiência própria... já arruinei uma cerveja ao colocar apenas uma pitada de cominho.  É muito importante, até se adquirir uma certa experiência, seguir as medidas de uma receita ou seguir parâmetros de referência que alguém já tenha definido....

A Cultura do Growler

Fugindo um pouco do assunto cervejas extremas, vou tratar de um assunto que tem ganhado força em terras brazucas, a cultura do Growler. Eu ouvi falar a primeira vez de growler no bar da Brewdog quando morava em São Paulo em 2014 e hoje, pouco mais de dois anos após isso, eu tenho nada menos que seis growlers de dois litros, um de três litros e alguns de um litro. E tenho percebido que a quantidade de opções e lugares onde se pode enchê-los tem crescido exponencialmente... Já li uma crítica à cultura do growler dizendo que é um processo que prejudica as cervejas, não sendo corretamente sanitizado e que permite entrada de oxigênio no processo de envase, a crítica fazia uma analogia a ir em um restaurante de luxo e pedir uma quentinha para viagem e depois a esquentar no microondas ao chegar em casa horas depois. Convenhamos... me pareceu uma crítica um tanto exagerada e injusta. Claro que pode ocorrer a entrada de oxigênio de forma a prejudicar a cerveja, mas não de forma tão exagera...

Gruit - Receita do Radical Brewing

Ingredientes para a Gruit Beer Depois de algumas semanas fermentando e maturando ficaram prontas as duas gruits que eu comentei que havia feito neste  artigo . Postei recentemente o resultado da gruit do século XIV e aqui posto a segunda experiência. A segunda gruit que eu fiz foi uma receita que consta no livro do Randy Mosher , sendo uma receita desenvolvida para agradar o paladar moderno, e que leva: bagas de zimbros, mírica, mil-folhas, wild-rosemary, artemísia, cominho, sementes de uvas, cardamomo, cravo em pó, alecrim e folhas de louro. Para adicionar um toque pessoal e um pouco de brasilidade adicionei algumas folhas de guaco à receita. Lista de especiarias para uma leva de 6 litros Pouca informação se tem atualmente sobre as gruits do passado, mas como todas as cervejas da Idade Média, acredita-se que eram em geral fortes, escuras, defumadas e um pouco sour devido o longo contato com a madeira de carvalho em barris e tinas. Mas esta receita f...