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Smoked Pale Ale - Malte Defumado com Charuto


Para explicar de onde veio a ideia para essa cerveja vou contar uma breve história de minha vida.

Em 2005, logo depois de me formar, eu e uns amigos resolvemos montar uma empresa voltada ao mercado de charutos. Éramos jovens, ambiciosos, gostávamos de fumar charutos e... éramos tolos.

Dentre várias empreitadas mal sucedidas, resolvemos participar em um evento na Hípica de Santo Amaro e para isso entramos em contato com uma fábrica baiana e encomendamos um lote mínimo de um charuto em uma bitola específica para o evento.

O lote mínimo era de nada menos de 1000 unidades. Além disso tivemos uma ideia bacana de juntamente com Erádio Perez, um cubano radicado no Brasil e que fabrica os excelentes charutos Siboney, de levar uns profissionais cubanos para enrolar charutos no evento. Até hoje eu mantenho um Culebra que foi preparado no dia.


Charuto Culebra

Não só o evento teve um público muito aquém do esperado, como o público teve um comportamento muito diferente do que esperávamos. Dos 1000 charutos, conseguimos vender algo em torno de 20!! Isso mesmo, não ria, saímos do evento com algo em torno de 950 charutos de estoque (senão me engano demos mais charutos de brinde do que vendemos).

Uma caixa umidora
E  como consequência disso passei os últimos anos fumando charutos expoequi. Até o final do ano passado quando encontrei o último charuto expoequi na minha caixa umidora de charutos. Sim, você precisa de uma caixa de madeira especificamente feita para evitar variações de umidade e temperatura para seus charutos. E de tempos em tempos colocar agua na esponja e conferir a condição dos charutos. É um hobby caro e trabalhoso, ainda bem que eu abandonei isso para me dedicar à cerveja artesanal, muito mais simples e acessível (só que não) .



Pois bem, encontrei o último charuto expoequi no fundo de minha caixa umidora e decidi fazer um lote de cerveja em homenagem a essa empreitada e enviar para meus ex-sócios e amigos que acompanharam esse momento da minha vida.



Então surgiu a questão, como colocar o aroma do charuto na cerveja?

Encontrei essa notícia (http://portaldotabaco.com.br/cerveja-de-tabaco-e-premiada-em-concurso-nacional/) e algumas referências gringas para utilização de tabaco em cervejas, mas nada que explicasse muito bem o processo.

Soube de uns belgas que colocavam seis charutos na fervura para um lote de 100 litros. Soube também que os italianos da Birra del Borgo fizeram uma série especial de sua Maledeta com charutos "Toscano" - uma interessante marca de charutos italianos.

Porém, ao estudar as possibilidades eu deparei com um fato que me incomodou. A nicotina do tabaco se dilui facilmente em água quente e em grande dosagem é altamente venenosa. Pelos meus cálculos, a quantidade de nicotina de um charuto diluída em 20 litros estaria longe de uma dosagem venenosa. Ainda assim poderia causar enjoo em pessoas não acostumadas com a nicotina.

Assim, resolvi ao invés de adicionar o charuto na fervura, utilizá-lo para defumar o malte. Como não tenho um defumador, tive que improvisar. Seguindo algumas orientações em videos. Encontrei um da Ana Maria Braga e do pessoal da Pompeia Hidroméis.



Assim, improvisei essa técnica no fogão de casa, partindo do malte Pilsen, tive que usar três charutos no total, assim usei o último expo-equi e mais dois baianos... Num primeiro momento eu achei que não tinha dado muito certo, mas no outro dia eu percebi que havia passado bastante aroma para o malte. Para uma receita de 20 litros eu usei 2 kgs de malte defumado dessa forma.



O resultado final ficou excelente. O defumado do charuto ficou bem perceptível na cerveja, mas não em exagero, acho que foi na medida. Aroma de caramelo e um quê de picante do defumado. Sabor caramelo, defumado e torrado remetendo a café. Lupulo bem equilibrado. O tabaco se nota no retrogosto de uma forma interessante. 



                                                                                                                                                  
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