Pular para o conteúdo principal

Vinho de Arroz Negro Chinês


Mulher no Laos fazendo
vinho de arroz - wikipedia
Fazer vinho de arroz é algo muito presente nas culturas orientais e praticamente desconhecido na nossa. Existem diversos estilos dependendo da região da Ásia. Apesar do nome, uma vez que utilizam cereais podem ser considerados mais próximos da cerveja que do vinho.


Eu expliquei aqui como eu fiz o vinho de arroz chinês usando arroz de jasmim. Neste tópico vou mostrar o resultado obtido usando quase a mesma técnica com arroz negro chinês. Foi quase a mesma técnica pois dessa vez eu resolvi usar um pouco de lúpulo para que o amargor consiga equilibrar com a acidez que imagino que resulte e com isso conseguir um resultado mais próximo do paladar ocidental.


O arroz negro chinês, também chamado de "arroz proibido" é uma iguaria chinesa que era reservada aos imperadores. De cor negra e sabor que remete a castanhas, é um cereal nutritivo voltado ao mercado gourmet. Ele possui mais proteína e menos gordura que o arroz integral, além de compostos fenólicos que são antioxidantes.

Ingredientes: Lúpulo Liberty, arroz negro e duas bolinhas de Dry Yeast


O mais complicado dessa receita é de fato conseguir o fermento chinês - Jiuqu, como eu expliquei no tópico sobre vinho chinês. A partir do momento que se tenha o fermento certo, basta cozinhar o arroz, com um pouco mais de água que o normal, e sem sal e temperos, obviamente. Aí é só resfriar e colocar o arroz em uma jarra de vidro, com tampa rosqueadora, misturar bem com o fermento. Tampar com um pano de algodão e a tampa rosqueada por cima. Parece que é pelo pano que o CO2 escapa. Aí é só guardar num lugar calmo durante três a quatro semanas. É bem interessante ver o arroz se liquefazendo e formando bolhas de CO2. Depois da fermentação, deve-se separar o liquido do mosto de arroz. E pronto... basta resfriar e beber









Após um mês fermentando o resultado final

Tenho que confessar que o resultado dessa experiência não foi bom. Houve muita formação de ésteres e álcoois superiores e ficou completamente intragável apesar da aparência ter ficado boa. Acredito que eu tenha deixado tempo demais fermentando e se eu tivesse extraído umas duas semanas antes o resultado teria sido bem diferente. De qualquer forma, serviu como aprendizado e como já disse para outras experiências: não foi minha primeira experiência mal sucedida e não será a última.


                                                                                                                                                  
Siga-nos no twitter: twitter.com/cervasextremas
Curta-nos no facebook: facebook.com/cervejasextremas

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Braggot

Braggot é o nome do hidromel que leva malte, também chamado de bracket, bragaut e bragawd. A origem dessas curiosas palavras vem do irlandês antigo (brach) ou do galês (brag, bragio) que significa "brotar". O fato do nome vir do galês não significa que eles tenham-na inventado, as origens do braggot são realmente muito antigas, beirando o início da civilização. No entanto, com o tempo o mel se tornou um componente secundário em cervejas e o último reduto em que a cultura do braggot sobreviveu foi no país de Gales. Os galeses eram famosos por suas cervejas com mel até o advento da Revolução Industrial, mas por volta de 1800 as cervejas galesas já não levavam nenhum mel. No Guia BJCP 2015 para Hidromel o Braggot está na categoria M4A , e ali se afirma que a impressão geral da bebida deve ser de um blend harmonioso de hidromel e cerveja, mantendo-se as características distintas de ambos. Uma extensa variedade de resultados é possível a depender do estilo base da cerveja, d...

Introdução

Sempre gostei de uma novidade. Uma bebida diferente, uma comida exótica, uma guloseima recém lançada. Em supermercados eu sempre caio no truque da novidade. É só o departamento de marketing da empresa resolver colocar um NOVO em letras coloridas e garrafais e eu caio que nem um patinho. Compro o produto que depois eu descubro nem ser tão novidade, ou nem ser tão bom assim. Às vezes me dou mal com isso. Lembro quando eu era criança e fiz minha mãe comprar o péssimo Quick Chocolate Branco que tinham acabado de lançar - e o troço era ruim!  Anos depois, quando adolescente, com amigos em um restaurante argentino em Florianópolis, convenci todos a pedir um petisco típico argentino que ninguém conhecesse, mas sem perguntar ao garçom do que se tratava. Pedimos chinchulim, que depois descobrimos tratar-se de intestino delgado assado. Perguntei ao garçom do que se tratava aquele recheio com sabor forte e ele me disse com a voz mais sarcástica: "Não tem recheio". O garçom...

A Cultura do Growler

Fugindo um pouco do assunto cervejas extremas, vou tratar de um assunto que tem ganhado força em terras brazucas, a cultura do Growler. Eu ouvi falar a primeira vez de growler no bar da Brewdog quando morava em São Paulo em 2014 e hoje, pouco mais de dois anos após isso, eu tenho nada menos que seis growlers de dois litros, um de três litros e alguns de um litro. E tenho percebido que a quantidade de opções e lugares onde se pode enchê-los tem crescido exponencialmente... Já li uma crítica à cultura do growler dizendo que é um processo que prejudica as cervejas, não sendo corretamente sanitizado e que permite entrada de oxigênio no processo de envase, a crítica fazia uma analogia a ir em um restaurante de luxo e pedir uma quentinha para viagem e depois a esquentar no microondas ao chegar em casa horas depois. Convenhamos... me pareceu uma crítica um tanto exagerada e injusta. Claro que pode ocorrer a entrada de oxigênio de forma a prejudicar a cerveja, mas não de forma tão exagera...